From: Direção do CCHLA
Date: 2010/5/13
Subject: Poemas no CCHLA
To: GINAUK@gmail.com
Local: Itinerante
Amanhece.
A louca caminha
no meio da rua.
Os braços abertos.
Os olhos nas mãos.
A voz baixa
como se estivesse rezando.
Sozinha contra a cidade adormecida.
Luís Carlos Guimarães
(arte by Carlos Damasceno)
Reculer Pour Mieux Sauter (provérbio francês utilizado por Elias no livro, remete a idéia de "o domínio possibilita um maior bem-estar posterior". Frase representativa do que se poderia chamar de defesa da alienação engajada.)
Por que as sociedades humanas resistem mais do que a natureza não-humana a uma mais bem-sucedida exploração dos perigos e catástrofes por elas gerados? E por que quase todos parecem aceitar que isso deva ser assim? Essas são as indagações iniciais de Envolvimento e Alienação, obra cujos objetivos são versar sobre a natureza do conhecimento das sociedades humanas por intermédio da dinâmica dos dois conceitos que a intitulam, e a demonstração da necessidade de elaboração de uma teoria das ciências que realmente comporte uma integridade em meio à diversidade de disciplinas progressivamente especializadas. A necessidade de um modelo dos modelos não concentrado num único e estático ramo do conhecimento. Publicada pela primeira vez na década de oitenta na Alemanha (Engagement und Distanzierun), chegou ao Brasil quinze anos mais tarde traduzidas pelas mãos de Álvaro Sá. (A escolha de Álvaro Sá pela utilização do conceito “alienação” em detrimento de “distanciamento” gera certamente alguma polêmica. Sá, contudo, explica que sua intenção é a de inserir Elias no intertexto filosófico de modo mais preciso.)“Pode-se lembrar que os pescadores, enquanto estavam sendo vagarosamente arrastados para o abismo do rodamoinho, por um momento ainda flutuavam colados às paredes do funil, junto com os restos do naufrágio. Logo no início, os dois irmãos – o mais moço já fora arrancado pelo temporal – estavam muito tomados pelo medo para pensar claramente e observar atentamente o que ocorria em torno deles. Depois de algum tempo, entretanto, um dos irmãos foi capaz de vencer seus temores. Enquanto o irmão mais velho se encolhia desamparadamente no bote, paralisado pela vizinhança do desastre, o mais jovem acalmou-se e começou a observar tudo a sua volta, com certa curiosidade. Foi então enquanto tudo considerava, quase que como se não estivesse envolvido, que notou certa regularidade de movimentos nas peças que estavam sendo arrastadas em círculos, juntamente com o bote. Enquanto observava e refletia, ele teve uma “idéia”; uma visão reveladora do processo que estava envolvido; e uma teoria começou a se formar em sua mente. Olhando a sua volta e raciocinando, chegou à conclusão de que os objetos cilíndricos desciam mais lentamente do que os objetos de quaisquer outros formatos e que os menores afundavam mais devagar do que os grandes. Baseado nesse quadro sinótico das uniformidades do processo no qual estava envolvido e reconhecendo a importância dessas uniformidades para sua própria situação, tomou a iniciativa correta. Enquanto o irmão continuava imobilizado pelo medo, ele se amarrou a um barril. Encorajando em vão o mais velho a fazer o mesmo, pulou no mar. O bote com o irmão desapareceu mais rapidamente, sendo, afinal, engolido pelo abismo enquanto o barril a que ele se amarrara afundava muito lenta e tão gradualmente, que à medida que inclinação do funil se tornou menos íngreme, e a rotação da água menos violenta, ele surgiu novamente na superfície do oceano, retornando, afinal, à vida”. (ELIAS, N. 1998, 165-166).
Uma outra dificuldade que as ciências humanas paradoxalmente encontram é a de estar em companhia de um estilo de pensamento que provou ser bem adequado na relação entre os humanos e os acontecimentos físicos, mas que não é igualmente apropriado no trato com outros humanos. E isso não diz respeito apenas ao fato de conceitos específicos de causalidades ou de explicações formadas serem generalizadas e usadas quase que naturalmente nas pesquisas sobre relações humanas; essa difusão mecânica dos modelos revela-se também, por exemplo, na ampla identificação de “racionalidade”, sobretudo com o uso de categorias desenvolvidas em conexão com experiências relativas aos acontecimentos físicos e na suposição de que o emprego de outras formas de pensamento sejam necessariamente uma inclinação para a irracionalidade ou metafísica. A tensão existente entre o modelo que obteve bons resultados e outros campos cujo procedimento mostra-se ineficaz, revela a conhecida ambivalência entre cumprir as determinações da autoridade que legitima a concepção de cientificidade a partir de seu espelhamento sobre a teoria das ciências, e a clarificação dos caminhos distintos que apresentam ser mais adequados, impondo uma modificação, e ampliação da própria compreensão do caráter científico. [...]
A maioria dos investigadores costuma lidar com as concepções pré-científicas do mundo como sociedade de agentes cheia de presságios, sinais e outras comunicações com os homens simplesmente como uma concepção errônea, uma teoria incorreta com a qual não é preciso se preocupar na medida em que ela possa permitir a percepção de previsões ou indicações da visão mais adequada. Essa consideração (ou desconsideração) dissimula o problema de que, em toda parte, os seres humanos inicialmente vivenciam o mundo animado, conectado por atos voluntários e objetivos encadeados por sinais, presságios eoutras formas de comunicação sendo somente muito depois promover um nexo causalpuramente mecânico. Contudo, o que interessa sobre esse ponto na discussão preconizada na obra, são as dificuldades que os homens têm que superar para alcançar àquelas que os homens tiveram que superar a fim de realizar o objetivo de trazê-las à cena. Isto é, acapacidade de promover a caminho trilhado pelas categorias do não-saber.
Hemos tenido que modificar un poco nuestro proyecto inicial en el que pretendíamos colocar 2.000 libros en una avenida principal de Manhattan porque no nos fue posible encontrar ayuda para gestionar permisos, ni financiación, así que al final, con 800 libros y sus respectivas luces, conseguimos un resultado más que digno y sobre todo hecho como a nosotros más nos gusta, de manera autogestionada y con la ayuda de amigos.
Hay que decir que nuestra instalación Literatura versus tráfico fue posible gracias a Jorge Martín Vila que se encargó de conseguir todo el material, que nos buscó localización y que nos acogió en su casa durante el montaje, que duró 2 días.
Tampoco queremos olvidar a Alan que nos regaló los libros y cedió el espacio para manipularlos, a Kara y Alex que nos ayudaron en todo momento con sus conocimiento de la ciudad y con el transporte y a Craig Dykers, que nos dio apoyo moral y físico esa noche además de algo muy importante, bebida para aguantar el frío polar a esas horas.
Las maravillosas fotos son como siempre de Gustavo Sanabria al que arrastramos con nosotros al nevado New York.
Esperamos que esta sea nuestra primera, de muchas otras batallas, ganadas al tráfico.Tiempo de montaje: 2 horas.
Daños ocasionados: 0.
Permanencia de la intervención: ¿7 horas?.
O tema lançado pretende ser ao mesmo tempo objeto e circunstância para discussões mais específicas a serem desenvolvidas e apresentadas. Os três primeiros trabalhos considerados vencedores receberão prêmio individual em moeda nacional nos valores brutos de 30 mil reais, para o primeiro lugar; 20 mil reais, para o segundo; e 10 mil reais, para o terceiro.
Inscrições abertas até 18 de setembro. Informações:(81)3073-6659/6660.
1. A Penguin, editora britânica vai relançar os melhores livros de todos os tempos, numa coleção muito especial: a Tuiteratura (twitterature). Os autores estudam no primeiro ano da Universidade de Chicago e tem entre 18 e 19 anos. Eles vão reler 75 dos grandes trabalhos literários da história da literatura e condensá-los em tuítes (140 caracteres ou menos). A coleção inclui um completo glossário dos termos, acrônimos e outras palavras típicas do gênero tuíte. A editora garante que o livro estará nas livrarias antes do Natal e deve custar em torno de R$21,00. Para saber mais clique aqui The Book Seller. Exemplos do que já foi escrito incluem O Inferno de Dante: “Estou no meio de uma crise de meia-idade. Perdido na floresta. Alguém traga o meu Iphone”; e Hamlet:“wtf o Polônio está fazendo atrás da cortina?”

at Brown University's John Hay Library. Credit: Joe Giblin / Associated Press

Nós, os Macacos (ou como os blogs, MySpace, Youtube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores)
Escrito por Bruno Linhares (INTERATORES) em 11/05/2009. Para ler o artigo na íntegra clique aqui.
A polêmica sobre o futuro da comunicação e os impactos causados pela ampliação da participação dos usuários na criação de conteúdo continua intensa. A opinião de jornalistas, profissionais especializados em Internet e, agora, atuantes da “blogsphera” enriquecem o debate, que ganhou cores dramáticas a partir da crise da mídia impressa com o desaparecimento – principalmente nos EUA – de vários veículos tradicionais e importantes.
Publicado há mais de dois anos, agora chega ao Brasil o controverso livro de Andrew Keen, com o sugestivo nome de “O Culto do Amador – como blogs, MySpace, Youtube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores”.
Li o livro,
na versão publicada pela Zahar no Brasil, com atenção e cuidado que merece. Devo classificá-lo como uma peça de um momento muito particular na História recente – é um livro da era G. W. Bush (foi publicado em 2007, nos EUA), marco do pensamento conservador em diversos campos do conhecimento e da ação política e institucional ocidental. É, como explícito no próprio título, um libelo em defesa da “economia, cultura e valores” tradicionais norte-americanos, o que quer que isto venha a significar neste momento em que tudo balança a partir dos efeitos da crise econômica.
O livro se compõe a partir de alguns axiomas essenciais: (1) A “democratização” representada pela participação pública na criação do conteúdo coloca em risco os padrões culturais, os valores morais e as instituições que produzem notícias e a mídia “livre”; (2) Esta derrocada seria causada pela substituição dos “especialistas” que produzem o noticiário e a crítica, assim como os produtores de cultura de maneira geral, que passam a ter o seu espaço ocupado por amadores que invadem com mensagens fracas, distorcidas e indevidas os corações e a mente dos usuários; (3) Não há modelo econômico viável para a difusão de informações na Internet, o que irá causar a destruição das empresas de comunicação e a demissão de profissionais, deixando a sociedade a mercê da ação dos amadores; (4) A inexistência de proteção quanto aos direitos autorais de obras em geral – música, filmes, livros – na Internet também irá propiciar um rebaixamento sem precedentes do nível da produção artística e cultural.
O autor identifica a causa de todo o “Mal”: é a “Web 2.0”, termo muito em voga na época do lançamento do livro. Na verdade, Keen mistura uma série de fatores, problemas, tendências e questões para construir um modelo ideológico “anti Web 2.0” no melhor estilo de “evangelistas” dedicados a combater um poderoso inimigo. Que este inimigo não tenha uma face real nem contornos precisos só demarcam o caráter do discurso apresentado. Alguns conservadores, sejam os de origem religiosa ou política, buscam “demonizar” atitudes ou comportamentos que discordam e demonstram o medo profundo de transformações decorrentes de fatores econômicos, sociais ou tecnológicos. É neste tipo de quixotismo que o pensamento de Keen se inscreve. (para ler a continuação do texto e os comentários clique aqui).






