"Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos", diz Umberto Eco

Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo trabalho, "Não Contem com o Fim do Livro"

MILÃO – O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo, ensaísta e escritor italiano Umberto Eco. Se não, é a mais evidente. Ao pasmado visitante, boquiaberto diante de sua coleção de 30 mil volumes guardados em seu escritório/residência em Milão, ele tem duas respostas prontas quando é indagado se leu toda aquela vastidão de papel. “Não. Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li estão na universidade” – é a sua preferida. “Não li nenhum”, começa a segunda. “Se não, por que os guardaria?”

Na verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros (“muito informais, à beira da piscina e regados com bons uísques”, informa Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro, que a editora Record lança na segunda quinzena de abril.

A conclusão é óbvia: tal qual a roda, o livro é uma invenção consolidada, a ponto de as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não terem como detê-lo. Qualquer dúvida é sanada ao se visitar o recanto milanês de Eco, como fez o Estado na última quarta-feira. Localizado diante do Castelo Sforzesco, o apartamento – naquele dia soprado por temperaturas baixíssimas, a neve pesada insistindo em embranquecer a formidável paisagem que se avista de sua sacada – encontra-se em um andar onde antes fora um pequeno hotel. “Se eram pouco funcionais para os hóspedes, os longos corredores são ótimos para mim pois estendo aí minhas estantes”, comenta o escritor, com indisfarçável prazer, ao apontar uma linha reta de prateleiras repletas que não parecem ter fim. Os antigos quartos? Transformaram-se em escritórios, dormitórios, sala de jantar, etc. O mais desejado, no entanto, é fechado a chave, climatizado e com uma janela que veda a luz solar: lá estão as raridades, obras produzidas há séculos, verdadeiros tesouros. Isso mesmo: tesouros de papel.

Conhecido tanto pela obra acadêmica (é professor aposentado de semiótica, mas ainda permanece na ativa na Faculdade de Bolonha) como pelos romances (O Nome da Rosa, publicado em 1980, tornou-se um best-seller mundial), Eco é um colecionador nato; além de livros, gosta também de selos, cartões-postais, rolhas de champanhe. Na sala de seu apartamento, estantes de vidro expõem tantos os livros raros – que, no momento, lideram sua preferência – como conchas, pedras, pedaços de madeira. As paredes expõem quadros que Eco arrematou nas visitas que fez a vários países ou que simplesmente ganhou de amigos – caso de Mário Schenberg (1914-1990), físico, político e crítico de arte brasileiro, de quem o escritor guarda as melhores recordações.

Aos 78 anos, Eco – que tem relançado no País Arte e Beleza na Estética Medieval (Record, 368 págs., R$ 47,90, tradução de Mario Sabino) – exibe uma impressionante vitalidade. Diverte-se com todo tipo de cinema (ao lado de seu aparelho de DVD repousa uma cópia da animação Ratatouille), mantém contato com seus alunos em Bolonha, escreve artigos para jornais e revistas e aceita convites para organizar exposições, como a que o transformou, no ano passado, em curador, no Museu do Louvre, em Paris. Lá, o autor teve o privilégio de passear sozinho pelos corredores do antigo palácio real francês nos dias em que o museu está fechado. E, como um moleque levado, aproveitou para alisar o bumbum da Vênus de Milo. Foi com esse mesmo espírito bem-humorado que Eco – envergando um elegante terno azul-marinho, que uma revolta gravata da mesma cor tratava de desalinhar; o rosto sem a característica barba grisalha (raspada religiosamente a cada 20 anos e, da última vez, em 2009, também porque o resistente bigode preto o fazia parecer Gengis Khan nas fotos) – conversou com a reportagem do Sabático.

O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas tecnologias?
O desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema, continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança.

Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma enorme biblioteca?
A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.

Não é possível prever o futuro da internet?
Não para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.

Como a crescente velocidade de processar dados de um computador poderá influenciar a forma como absorvemos informação?
O cérebro humano é adaptável às necessidades. Eu me sinto bem em um carro em alta velocidade, mas meu avô ficava apavorado. Já meu neto consegue informações com mais facilidade no computador do que eu. Não podemos prever até que ponto nosso cérebro terá capacidade para entender e absorver novas informações. Até porque uma evolução física também é necessária. Atualmente, poucos conseguem viajar longas distâncias – de Paris a Nova York, por exemplo – sem sentir o desconforto do jet lag. Mas quem sabe meu neto não poderá fazer esse trajeto no futuro em meia hora e se sentir bem?

É possível existir contracultura na internet?
Sim, com certeza, e ela pode se manifestar tanto de forma revolucionária como conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política. Enquanto aqui as pessoas gastam horas batendo papo, na China é a única forma de se manter contato com o restante do mundo.

Em um determinado trecho de ‘Não Contem Com o Fim do Livro’, o senhor e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória – que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não atrofiar.
De fato, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a memória histórica. Minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso detalhar sobre o que se passava na Itália 20 anos antes do meu nascimento. Se você perguntar hoje para um aluno, ele certamente não saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento, pois basta dar um clique no computador para obter essa informação. Lembro que, na escola, eu era obrigado a decorar dez versos por dia. Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço sua importância. A cultura alfabética cedeu espaço para as fontes visuais, para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra, como a memória. Lembro-me de uma maravilhosa história de ficção científica escrita por Isaac Asimov, nos anos 1950. É sobre uma civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, inclusive as mais simples contas de multiplicar. De repente, o mundo entra em guerra, acontece um tremendo blecaute e nenhuma máquina funciona mais. Instala-se o caos até que se descobre um homem do Tennessee que ainda sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de representar uma salvação, ele se torna uma arma poderosa e é disputado por todos os governos – até ser capturado pelo Pentágono por causa do perigo que representa (risos). Não é maravilhoso?

No livro, o senhor e Carrière comentam sobre como a falta de leitura de alguns líderes influenciou suas errôneas decisões.
Sim, escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a atual cultura americana que parece questionar a validade de se conhecer o passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai, provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscou por terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante para traçar o futuro.

Diversos historiadores apontam os ataques terroristas contra os americanos em 11 de setembro de 2001 como definidores de um novo curso para a humanidade. O senhor pensa da mesma forma?
Foi algo realmente modificador. Na primeira guerra americana contra o Iraque, sob o governo de Bush pai, havia um confronto direto: a imprensa estava lá e presenciava os combates, as perdas humanas, as conquistas de território. Depois, em setembro de 2001, se percebeu que a guerra perdera a essência de confronto humano direto – o inimigo transformara-se no terrorismo, que podia se personificar em uma nação ou mesmo nos vizinhos do apartamento ao lado. Deixou de ser uma guerra travada por soldados e passou para as mãos dos agentes secretos. Ao mesmo tempo, a guerra globalizou-se; todos podem acompanhá-la pela televisão, pela internet. Há discussões generalizadas sobre o assunto.

Falando agora sobre sua biblioteca, é verdade que ela conta com 50 mil volumes?
Sim, de uma forma geral. Nesse apartamento em Milão, estão apenas 30 mil – o restante está no interior da Itália, onde tenho outra casa. Mas sempre me desfaço de algumas centenas, pois, como disse antes, é preciso fazer uma filtragem.

Por que o senhor impediu sua secretária de catalogá-los?
Porque a forma como você organiza seus livros depende da sua necessidade atual. Tenho um amigo que mantém os seus em ordem alfabética de autores, o que é absolutamente estúpido, pois a obra de um historiador francês vai estar em uma estante e a de outro em um lugar diferente. Eu tenho aqui literatura contemporânea separada por ordem alfabética de países. Já a não contemporânea está dividida por séculos e pelo tipo de arte. Mas, às vezes, um determinado livro pode tanto ser considerado por mim como filosófico ou de estética da arte; depende do motivo da minha pesquisa. Assim, reorganizo minha biblioteca segundo meus critérios e somente eu, e não uma secretária, pode fazer isso. Claro que, com um acervo desse tamanho, não é fácil saber onde está cada livro. Meu método facilita, eu tenho boa memória, mas, se algum idiota da família retira alguma obra de um lugar e a coloca em outro, esse livro está perdido para sempre. É melhor comprar outro exemplar (risos).

Um estudioso que também é seu amigo, Marshall Blonsky, escreveu certa vez que existe de um lado Umberto, o famoso romancista, e de outro Eco, professor de semiótica.
E ambos sou eu (risos). Quando escrevo romances, procuro não pensar em minhas pesquisas acadêmicas – por isso, tiro férias. Mesmo assim, leitores e críticos traçam diversas conexões, o que não discuto. Lembro de que, quando escrevia O Pêndulo de Foucault, fiz diversas pesquisas sobre ciência oculta até que, em um determinado momento, elas atingiram tal envergadura que temi uma teorização exagerada no romance. Então, transformei todo o material em um curso sobre ciência oculta, o que foi muito bem-feito.

Por falar em ‘O Pêndulo de Foucault’, comenta-se que o senhor antecipou em muito tempo O Código de Da Vinci, de Dan Brown.
Quem leu meu livro sabe que é verdade. Mas, enquanto são os meus personagens que levam a sério esse ocultismo barato, Dan Brown é quem leva isso a sério e tenta convencer os leitores de que realmente é um assunto a ser considerado. Ou seja, fez uma bela maquiagem. Fomos apresentados neste ano em uma première do Teatro Scala e ele assim se apresentou: “O senhor não me admira, mas eu gosto de seus livros.” Respondi: Não é que eu não goste de você – afinal, eu criei você (risos).

Em seu mais conhecido romance, O Nome da Rosa, há um momento em que se discute se Jesus chegou a sorrir. É possível pensar em senso de humor quando se trata de Deus?
De acordo com Baudelaire, é o Diabo quem tem mais senso de humor (risos). E, se Deus realmente é bem-humorado, é possível entender por que certos homens poderosos agem de determinada maneira. E se ainda a vida é como uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, como Shakespeare apregoa em Macbeth, é preciso ainda mais senso de humor para entender a trajetória da humanidade.

Como foi a exposição no Museu do Louvre, em Paris, da qual o senhor foi curador, no ano passado?
Há quatro anos, o museu reserva um mês para um convidado (Toni Morrison foi escolhida certa vez) organizar o que bem entender. Então, me convidaram e eu respondi que queria fazer algo sobre listas. “Por quê?”, perguntaram. Ora, sempre usei muitas listas em meus romances – até pensei em escrever um ensaio sobre esse hábito. Bem, quando se fala em listas na cultura, normalmente se pensa em literatura. Mas, como se trata de um museu, decidi elaborar uma lista visual e musical, essa sugerida pela direção do Louvre. Assim, tive o privilégio (que não foi oferecido a Dan Brown) de visitar o museu vazio, às terças-feiras, quando está fechado. E pude tocar a bunda da Vênus de Milo (risos) e admirar a Mona Lisa a apenas 20 centímetros de distância.

O senhor esteve duas vezes no Brasil, em 1966 e 1979. Que recordações guarda dessas visitas?
Muitas. A primeira, em São Paulo, onde dei algumas aulas na Faculdade de Arquitetura (da USP), que originaram o livro A Estrutura Ausente. Já na segunda fui acompanhado da família e viajamos de Manaus a Curitiba. Foi maravilhoso. Lembro-me de meu editor na época pedindo para eu ficar para o carnaval e assistir ao desfile das escolas de samba de camarote, o que não pude atender. E também me recordo de imagens fortes, como a da moça que cai em transe em um terreiro (para o qual fui levado por Mario Schenberg) e que reproduzo em O Pêndulo de Foucault.Ubiratan Brasil, enviado especial in Caderno 2 – Estadão

A seguir matéria publica no jornal Valor (clique nas imagens para ampliá-las)


Menor livro de ilusão de ótica

Posted by admin 16 de mai. de 2010 0 comments

Very happy to have just bought the worlds smallest book of op... on Twitpic

Poemas no CCHLA

Posted by admin 13 de mai. de 2010 0 comments


---------- Mensagem Recebida ----------
From: Direção do CCHLA
Date: 2010/5/13
Subject: Poemas no CCHLA
To: GINAUK@gmail.com
Local: Itinerante
 
ÁGUA-FORTE

Amanhece.

A louca caminha
no meio da rua.
Os braços abertos.
Os olhos nas mãos.
A voz baixa
como se estivesse rezando.
Sozinha contra a cidade adormecida.

Luís Carlos Guimarães

(arte by Carlos Damasceno

Nos dias 27 e 28 de maio de 2010 a Universidade Federal da Paraíba realiza o III Seminário Latino Americano de Metodologias Transformadoras em Comunicação, Educação e Cidadania, promovido AMLAT.
A AMLAT é uma Rede Temática de Comunicação, Cidadania, Educação e Integração na América Latina, criada em 2008 pelo Prof. Dr. Alberto Efendy Maldonado Gómez de la Torre do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), e que tem como parceiros a Universidad Nacional de Córdoba; a Universidad Nacional Experimental Simón Rodríguez; a Universidade Federal da Paraíba; a Universidad Central del Ecuador; e a IELUSC/Universidade Federal de Santa Catarina. O evento reunirá pesquisadores e professores da área de comunicação da América Latina que irão debater sobre comunicação, cidadania, educação e integração científica e acadêmica latino-americana.


A participação é gratuita, mas conforme informações do COMJUNTO Blog Coletivo dos Estudantes de Comunicação é preciso fazer a inscrição no site da INNOVA UFPB, até o dia 25 de maio de 2010.


Confira a Programação do
III Seminário Latino Americano de Metodologias
Transformadoras em Comunicação, Educação e Cidadania
(Auditório da Reitoria da UFPB)

27 de maio de 2010
8  Apresentação Musical
8:30  Abertura
9  A transmetodologia na investigação crítica de recepção comunicacional na América Latina. (Alberto Maldonado UNISINOS)
10  La metáfora. Una Via para la generación de conocimientos y saberes (Alejandrina Reyes  Universidad Experimental Simón Rodríguez Venezuela) / Moderadora (Glória Rabay)
10:30  Recesso
11  Lançamento do livro da Rede AMLAT: Metodologias Transformadoras
“ Tejiendo la red em comunicación, Educación, Ciudadania y integración en América Latina”
14  Educomunicación: entre lo popular y lo alternativo. Una experiência de TV comunitária (Noel Padilha Fernandez Universidad Experimental Simón Rodríguez Venezuela)
14:30  Ações Cidadãs de educomunicação ambiental na região do manguezal de Bayeux PB (Pedro Nunes Universidade Federal da Paraíba)
15  La educomunicación en Ecuador: experiências y projecciones (Alberto Pereira Valarezo Universidad Central del Ecuador) / Moderadora  (Norma Meirelles)
15:30  Recesso
16  A fotocartografia sociocultural como estratégia metodológica (Itamar Nobre Universidade Federal do Rio Grande do Norte
16:30  Convergência digital e práticas de comunicação comunitária alternativa: uma proposta de abordagem (Juciano Lacerda Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
17  Redes como metáfora e prática social (Theóphilos Rifiotis Universidade Federal de Santa Catarina)
17:30  Políticas de rádio y televisión en la integración regional Mercorsur (Daniela Monje) / Moderador (João de Lima)
19:30  Identidade, histórias de vida e memória: um exercício de comunicação alternativa (Angela Pavan e Socorro Veloso Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
20:00  Comunicação e Cidadania: a audiodiscrição como estratégia de acessibilidade (Joana Belarmino Universidade Federal da Paraíba)
20:30  Violencia y seguridad en los estúdios de comunicación: la construción de un abordaje desde la articulación comunicación y ciudadania (Susana Morales Universidad Nacional de Córdoba Argentina) / Moderador (Dinarte Varela)

28 de Maio de 2010
8  Nos vemos como ciudadanos? Trabajo com Barrios de Quito (Ivanova Nieto Universidad Central del Ecuador)
8:30  Espelhos do outro: o audiovisual na pesquisa etnográfica (Annelsina Trigueiro Universidade Federal da Paraíba) / Moderador (Victor Braga)
9  Recesso
9:30  Pesquisa e cotidiano: versos e reversos da metodologia e do método (Nísia Rosário Universidade do Vale do Rio dos Sinos)
10h  Questões e desafios para pensar processos de formação de investigadores (Jiani Adriana Bonin Universidade do Vale do Rio dos Sinos)
10:30  Ficção, telejornalismo e periferia na TV: um processo de investigação em iniciação científica (Virgínia Sá Barreto, Glaucio Souza, Nayara Klécia de Oliveira e Raissa Lima - orientados PIBIC/PIVIC/ UFPB) Moderador (Sandra Moura)
11  Encerramento


"Alguma coisa está fora da ordem"

Resenha escrita por Dennis de Oliveira (Doutor em Ciências da
Comunicação pela USP, coordenador do curso de graduação em Jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba) Fonte: MM

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós modernidade. RJ: DPeA, 1999.

Stuart Hall é um dos maiores expoentes da corrente conhecida como Escola de Birmigham, ou "estudos culturais", conjunto de pensadores britânicos contemporâneos que, a partir de uma leitura do filósofo marxista Antonio Gramsci, fazem uma radiografia dos processos culturais contemporâneos, tendo como pano de fundo as mudanças societárias impostas pelo processo de globalização e a chamada cultura pós-moderna. Hall foi diretor do Centro de Estudos Culturais Contemporâneos da Universidade de Birmigham entre 1970 e 1979 e faz parte do corpo de fundadores deste importante instituto.

Este pequeno livro coloca os principais pontos do que os teóricos dos estudos culturais britânicos apontam como centrais para se pensar as relações sócio-culturais na era pós-moderna. O principal ponto de partida de Hall é a crise da noção de identidade e de sujeito constituída na modernidade - a idéia de um sujeito centrado, unificado e definido em termos de locus sócio-cultural se evanesce. Segundo Hall, "uma mudança estrutural está fragmentando e deslocando as identidades culturais de classe, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade - se antes, estas identidades eram sólidas localizações nas quais os indivíduos se encaixavam socialmente, hoje elas se encontram com fronteiras menos definidas que provocam no indivíduo uma crise de identidade".

O sujeito do Iluminismo, segundo Hall, "estava baseado numa concepção de pessoa humana como um indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, consciência e ação" (p. 10). Esta certeza, típica do período iluminista, na verdade não passa de uma construção discursiva que se legitima pela emergência e centralidade da ação política nos Estados-Nação. Assim, as identidades se articulam a partir do pertencimento a nações que subordinam as demais possibilidades de construção de subjetividades.

O processo conhecido como globalização traz como novidade um enfraquecimento do espaço do Estado-Nação como locus privilegiado da construção destas identidades. E o que se percebe hoje, é um desvelamento das limitações que esta concepção centrada de identidade construída pelo Iluminismo não se sustenta sem a centralidade da instituição Nação. "As nações líderes da Europa são nações de sangue misto: a França é, ao mesmo tempo, céltica, ibérica e germânica; a Alemanha é germânica, céltica e eslava; a Itália é o país onde gauleses, etruscos, pelagianos e gregos para não mencionar outros, se intersectam numa mistura indecifrável..." (p. 64). Por esta razão, Hall define que os conceitos de identidade são, na verdade, construções discursivas que só se legitimam a partir do momento que os contextos culturais assim o permitem.

O atual contexto cultural da pós-modernidade aponta para conseqüências contraditórias, segundo Hall. Primeiro, percebe-se uma desintegração das identidades nacionais pela tendência da homogeinização cultural da globalização; segundo, há um reforço das identidades nacionais e outras locais e particularistas em virtude da resistência ao processo de globalização e, como síntese deste choque, uma terceira conseqüência: as identidades nacionais estão em declínio mas novas identidades - híbridas - estão tomando o seu lugar.

Com estas afirmações, Hall nos dá pistas interessantes e inovadoras para compreender o atual contexto cultural. Distanciando-se tanto daqueles que consideram a inevitabilidade de uma total homogeneização cultural imposta pela globalização e também dos que defendem uma resistência simplesmente retornando ao discurso da identidade nacional do Iluminismo, o autor aponta que este choque dialético possibilita a construção de novas sínteses e perspectivas culturais que demandam desafios teóricos mais complexos para a sua compreensão mais global.
Atenção alunos da pós-graduação em Estudos da Mídia da UFRN,
para a aula da Profa. Kenia, do dia 12 de maio de 2010
serão debatidos os cap. 1. A identidade em questão e
5. O global, o local e o retorno da etnia

 


O Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia (PPgEM) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) promove o minicurso
 
"Sociedades Mediatizadas y Comunicação Ciudadana",

ministrado pela Profa. Maria Cristina Mata da Universidade Nacional de Córdoba (Argentina). Destinado aos pós-graduandos da UFRN, o evento ocorrerá nos dias 10 e 11 de maio, no Auditório B – Anexo do CCHLA, com duração de 15 horas/1 crédito. As inscrições podem ser feitas de 26 de abril a 5 de maio na Secretaria do PPgEM – Sala 225 do CCHLA/UFRN, telefone 84 3215-3926, no horário das 7h30 às 12hs e das 13hs às 16h30. Número de vagas limitado a 20. 

Para maiores informações e baixar a ficha de inscrição clique aqui.

 
A profa. Maria Cristina da Mata é adjunta DE por concurso na Área de Estudos Sociais da Comunicação do Centro de Estudos Avançados da Universidade Nacional de Córdoba, desde dezembro de 1993, na qual desenvolve atividades de pesquisa e formação de pós-graduandos. No Centro de Estudos Avançados, a professora ocupa as seguintes funções: diretora da Maestría em Comunicação e Cultura Contemporânea, desde dezembro 200, e diretora do Programa de Estudos sobre Comunicação e Cidadania, desde novembro de 2005. Da Mata também é diretora do Projeto “Públicos e Cidadania Comunicativa na Sociedade Mediatizada: Convergências e Tensões, terceira etapa”, aprovado e subsidiado por SECYT-UNC, desde 2004. Suas publicações incluem:
  • La investigación en comunicación en la Argentina: deudas y desafíos en Revista Argentina de Comunicación, Año 1, Nº 1, Buenos Aires, Argentina, Fadeccos y Prometeo Libros, 2006.
  • Comunicación y ciudadanía. Problemas teórico-políticos de su articulación en Fronteiras, estudos midiáticos, VIII (1):5-15, enero/abril, UNISINOS, S.Leopoldo, BR, 2006.
  • Los medios masivos en el estudio de la comunicación/cultura en Conexão, Comunicação e Cultura, IV (8): 13-21,julio/diciembre 2005 Univ.Caxias do Sul, BR, 2005.
  • Democracia y ciudadanía en la sociedad de la información: Desafíos y articulaciones regionales,  Mata, M.C., Nicolino, Li. y Córdoba, L., (Eds.), ECI-UNC, 2005.
  • Comunicación, ciudadanía y poder en DIA-LOGOS de la Comunicación, Nº 64, Felafacs, Lima, Perú, 2002.



Artigo de Adriana Conceição Silva Costa(*)



Um dos grandes problemas do século XXI é a comunicação humana. O ser humano – em vários momentos da vida – depara-se com questionamentos de todo tipo, e as respostas envolvem todo o processo comunicativo, mesclando a linguagem, as “culturas” e a língua portuguesa tão inculta e bela como nos afirmou Olavo Bilac.


(*) Adriana é professora dos Cursos de Direito, Marketing, Hotelaria e Gestão Financeira da FACEX. Especialista em Lingüística e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e Inglesa (UFRJ).

Este é um blog colaborativo. O texto a seguir foi enviado hoje (23/4) e é uma colaboração de Adriana Costa, que atualmente participa da pós-graduação em Estudos da Mídia pela UFRN. Adriana em sua própria definição se afirma: Mulher e educadora em Natal, RN.
 
Estava aqui sentada pensando com os botões da minha minissaia: aonde vai parar a educação no Brasil?


No momento, parece que vai parar no Ministério Público, na Defesa do Consumidor, no Washington Post, no The Guardian e principalmente nos programas da TV.


Sim, as notícias veiculadas, nos últimos dias, nos principais programas e telejornais no Brasil e até no exterior mencionam  o caso da aluna Geyse e seu microvestido, mas só dizem respeito a uma coisa: a deficiência da educação no Brasil.


Muitos têm discutido se a moça deveria estar ou não com um microvestido na faculdade, outros sobre se ela quer apenas ser mais uma “capável” de revista masculina, outros se de fato ela provocou os colegas ou não por estar com o tal vestido, já ouvi até comentarem que ela errou na cor e este seria o problema.


Mas o fato que me apavora cada vez que ouço falar no caso é que nada ou pouco foi discutido sobre a microeducação, a microética, a microtolerância e o microrespeito pelos direitos da mulher.


Sinceramente, esses fatos recentes me fizeram pensar e repensar o trabalho de Patrícia Galvão, a Pagú, nos anos 20, quebrando os paradigmas sociais vigentes e usando cabelo curto e calças compridas nas ruas de São Paulo, depois fui até 1967 quando Mary Quant lançou a minissaia inovando o guarda-roupa feminino, e dentre tantas mulheres importantes lembrei por fim de Leila Diniz em 1971 com seu barrigão à mostra na praia.O que esses fatos tem em comum com o caso Geyse? Todos referem-se a intolerância da sociedade quando o assunto é emancipação feminina.


Sou do tempo que moça de família não podia pintar a unha de vermelho,nem falar palavrão e quando alguma moça era estuprada ao dar seu depoimento na delegacia debaixo de olhares de reprovação tinha que dizer com que roupa estava vestida, e se fosse por exemplo um microvestido rosa-choque era uma prova de que ela provocara o estuprador.


Entretanto isso ficou no passado – pensava eu. Não isso está muito presente, em pleno século XXI a mulher ainda é julgada pela roupa que usa, e isso para mim é retrocesso.Se a moça foi à faculdade disposta à mostrar seus dotes estéticos ou se era apenas um indício de uma “esticadinha” a alguma festa depois da aula; penso que não seria de forma alguma necessário tanta confusão e revolta – por parte dos moralistas de plantão que urravam e gritavam palavras relativas a uma suposta profissão da moça. E esse é outro fato que não entendi, se de fato a moça tivesse algum tipo de profissão relacionada ao uso do corpo não seria problema dela? Embora pelo que foi mostrado não é o caso.


Mas realmente o problema se agrava quando tais sinais de intolerância acontecem no local em que não deve: o espaço de uma universidade, não seria esse nome uma prova de que lá estamos a disposição de vários comportamentos?


Está certo que tal universidade tinha uma regimento, extremamente vago com respeito ao assunto vestimenta, e que talvez para algumas moças e até para alguns rapazes Geyse exagerou no micro. Contudo, onde estava a coordenação do curso de Turismo que ao perceber o “desrespeito” da moça através do tal vestido não a chamou amigavelmente e informou os preceitos da universidade e aproveitou a oportunidade para “educar” a moça “transgressora”?


Onde estavam os professores das turmas que ao invés de estarem em sala de aula estavam urrando e filmando o microvestido escandaloso? Onde estava o conselho de ética e moral que permitiu todo aquele vandalismo que culminou com a presença da polícia para resgatar a “criminosa” do micro?


Sou educadora também e para mim é recorrente ver moças – em especial na sexta-feira à noite – que vão a faculdade de microssaias ou microvestidos ou decotes até mais escandalosos que o de Geyse, e sinceramente, jamais pensei mal de tais moças primeiro porque em nada atrapalha o andamento da aula, depois porque se tais moças entendem que precisam mostrar o corpo na sexta à noite ou qualquer outro dia é direito e problema delas a mim cabe ensinar minha disciplina e a elas aprender; e considerando que não estamos na época das cavernas nenhum rapaz jamais tentou avançar em uma delas e arrastá-las pelos cabelos até a gruta.


 E ainda quanto as que tem a profissão citada pelos alunos da Uniban também não creio que seja problema de ninguém cada um ganha a vida como quer e como pode desde que de forma lícita ,temos liberdade para isso,  não é assim que demanda a Constituição Federal?


Diante desses fatos tenho que começar a me preocupar, pois se essas práticas começarem a se tornar comuns e não ficarmos atentas as pequenas mostras de preconceito disfarçadas de moralidade e ética, em tempo breve voltaremos para a condição servil com total obediência ao “senhor meu marido” que determinará o que vestir; onde ir; com quem falar e até se mulher precisa ou não estudar, já passamos por isso antes.


Fica meu pesar pelo fato de estarem discutindo o micro errado. Está na hora de discutir o microdesempenho da Uniban na avaliação do MEC e a microlição que aprendemos com tudo isso.


Moças universitárias: quando forem a faculdade cuidado com o microvestido, pois a falta de pano pode render pano prá manga.




Prof. Madan Rao durante conferência em Bali compartilha algumas fotos interessantes:



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